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Obama: O que espera por ele

O desemprego recorde, uma recessão já com ar de depressão e uma explosão no Oriente Médio compõem a herança maldita para o novo presidente americano. E o pior: ele terá ainda de administrar expectativas infladas

BARACK OBAMA FEZ SUA CAMpanha prometendo mudança. O que ele não esperava é que, antes que tivesse tempo de fazer as mudanças para melhor que prometeu, o país já teria mudado. Para pior. E quando se sentar no Salão Oval na terçafeira, depois de um discurso de posse prometendo uma nova era para os americanos, Obama vai comandar um país bem diferente daquele que pretendia governar quando começou a campanha, há dois anos. Alguns dos problemas já existiam, como a degradação da imagem dos Estados Unidos e o crescente déficit público. Os anos Bush foram de baixo crescimento econômico - 1,4% em média, comparado com 3,6% no governo Clinton - com crescimento anual de apenas 0,3% no mercado de trabalho e de 1,3% na renda média - comparado com 2,4% no emprego e 2,3% na renda no governo anterior. Ainda assim, nos últimos meses a situação se deteriorou muito. O país que Obama vai herdar vive a maior crise econômica desde os anos 30 - e já com jeito de depressão. Em dezembro, o desemprego chegou a 7,2%, o maior em 16 anos, e a maioria dos economistas acredita que pode atingir os dois dígitos até o fim do ano. Somente no ano passado, 2,6 milhões de pessoas perderam o emprego, o maior número desde 1945. Mais de 11 milhões estão desempregados em todo o país. As consequências se espalham. Somente no ano passado, 3,1 milhões de imóveis foram retomados por falta de pagamento. Neste ano, outros milhões correm o risco de seguir o mesmo caminho. A venda de veículos caiu 18%, colocando em risco a sobrevivência das montadoras americanas. No Salão do Automóvel de Detroit, na semana passada, onde tradicionalmente as montadoras americanas lançavam seus modelos com estardalhaço, o clima este ano era bem diferente, com fabricantes escondendo utilitários esportivos e lançando carros menores e elétricos - cumprindo a promessa feita ao governo de investir em energias alternativas.

Diante do tamanho do desafio, não são poucas as chances de que Obama decepcione os que esperam uma mudança radical na deprimente situação americana. "A equipe de Obama logo vai aprender que é mais fácil fazer campanha do que governar", escreveu num artigo Karl Rove, que foi braço direito do presidente Bush. Desde a eleição, Obama vinha prometendo um pacote de gastos e corte de impostos para estimular a economia - um movimento anticíclico, como o prometido pelo governo brasileiro ao manter os investimentos do PAC. Na semana passada, Obama voltou a pedir ao Congresso que aprove um pacote de estímulo, e disse que não apresentaria um plano fechado, para que os congressistas tivessem a oportunidade de fazer sugestões. "Estamos propondo um plano para mostrar que vamos agir de forma audaciosa e rápida. Não apenas incentivando a retomada da economia e imediatamente criando ou salvando três milhões de empregos, mas também alocando recursos para resolver problemas estruturais que temos na economia", disse o novo presidente. O que Obama apresenta como uma solução negociada, muitos veem como uma oportunidade para escancarar ainda mais os gastos públicos. O déficit orçamentário previsto para este ano é de US$ 1,2 trilhão, e a dívida pública deve chegar a US$ 10 trilhões. Na quinta-feira 15, a bancada democrata apresentou um plano de US$ 825 bilhões, dois terços do montante com gastos públicos e o restante em redução de impostos. "O plano é bom, focado em gastos públicos, mas poderia ser até mais, US$ 1 trilhão ou até US$ 1,2 trilhão", disse à DINHEIRO o economista Dean Baker, codiretor do Centro de Pesquisas de Políticas Econômicas.

Se não bastassem os problemas econômicos e os desafios na política externa, incluindo o de encontrar uma saída honrosa do Iraque, Obama também terá que lidar com o novo conflito em Gaza. Na sabatina de confirmação no Senado, a nova secretária de Estado, Hillary Clinton, evitou dar detalhes do que o governo americano vai fazer para se engajar no conflito, dizendo que a equipe de Obama ainda não tinha assumido. É grande a pressão externa para que o país faça Israel negociar com os palestinos. Quem saiu da agenda, principalmente com a volta do conflito no Oriente Médio, foi a América Latina. A esperança de que a região tivesse alguma relevância com a indicação do governador do Novo México, Bill Richardson, foi sepultada quando ele desistiu de assumir o posto por causa de um escândalo ainda não resolvido no seu estado. "A América Latina não está implodindo. O Oriente Médio está. É um bom sinal ficar fora do radar", diz o pesquisador do Brookings Institution e professor da universidade George Washington, Stephen Hess.

O PRODUTO OBAMA

Há um mercado que desafia a crise: o de lembranças sobre a posse do novo presidente

Apesar da crise e do clima de depressão - com a queda das vendas no comércio e o aumento das demissões nos Estados Unidos, os despejos e as falências -, o capitalismo segue firme e forte no país. Além das tradicionais moedas, pratos e placas comemorativas do novo presidente, vendidos pela loja oficial do comitê de posse - para arrecadar fundos para pagar pelas comemorações - o tema de "esperança" e "mudança" do slogan de campanha e a face do novo presidente estão por toda parte. O tíquete de metrô de Washington com a foto do presidente já está sendo vendido no site E-bay, e lojas de artigos esportivos e souvenires vendem de sabonete a molho de pimenta com o nome de Obama. Até sex shops vendem produtos com o nome do novo presidente estampado. Quem quer ver Obama e a primeira- dama de perto também pode comprar um ingresso para a parada de posse por R$ 25 ou pagar de US$ 150 a US$ 2,5 mil por uma entrada para um dos bailes oficiais. Funcionários do Congresso que ganharam ingressos para a cerimônia pública de posse, de graça, foram informados que revender o tíquete é crime.

 

Atualizado em 21/01/2009 por Adriana Nicacio e Gustavo Gantois

Fonte: Isto É Dinheiro
Link: http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/589/o-que-por-ele-espera-o-desemprego-recorde-uma-recessao-123157-1.htm

Programa Shell Iniciativa Jovem 2012 surpreende participantes em aula inaugural.

Na última quinta-feira, dia 03 de maio, foi dada a largada oficial ao Programa Shell Iniciativa Jovem 2012. Depois de um longo processo seletivo, os 58 selecionados assistiram à – mais que motivadora – aula inaugural.

A Espera acabou !

Segue a Lista dos Aprovados para a Oficina de Projetos do Programa Shell Iniciativa Jovem 2012.