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Mesmo sob impacto da crise, Brasil continuará crescendo

Diretor de Administração e Finanças do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, avalia que, pela primeira vez, os fundamentos econômicos possibilitam melhor enfrentamento das conseqüências da turbulência externa

O Brasil está sob forte impacto da crise financeira que começou nos Estados Unidos e se alastrou pela Europa, até chegar aos países emergentes. No Brasil, o governo acaba de revisar a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, de 4% para 2%.

O Sebrae, no seu papel de agência de desenvolvimento dos pequenos negócios, acompanha a evolução dos impactos dessa crise sobre a economia em geral e o segmento em particular. Esse monitoramento permite reforçar ações em áreas que ajudem os empresários a enfrentar a crise com os pés no chão e tomar as decisões necessárias, atentos aos desafios postos em função dessa nova conjuntura, que interrompe o ritmo de crescimento acelerado dos últimos anos.

O diretor de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos, avalia que, pela primeira vez na história recente do País, os fundamentos econômicos possibilitam melhor enfrentamento das conseqüências nefastas de uma crise externa que tem três canais de transmissão: volatilidade cambial, fechamento das linhas de crédito para as grandes empresas brasileiras no exterior e diminuição da demanda por commodities. Veja os principais pontos de entrevista sobre o assunto, concedida pelo diretor, que também é economista e especialista em Sistema Financeiro e Desenvolvimento Local:

Desaceleração econômica

As previsões para a variação do PIB em 2009 estão em torno de 2%. As mais pessimistas nem chegam a isso. Sou otimista. Nos últimos anos, as previsões de crescimento sempre foram reavaliadas para cima, inclusive as do próprio governo. Mesmo que tenhamos um crescimento em torno de 2%, menos da metade do ocorrido em 2008, esta ainda é uma taxa dentro da média de períodos históricos recentes. Se confirmadas as expectativas mais pessimistas, ainda assim cresceremos, este ano, acima da média mundial. Traduzo essa crise, da qual se fala tanto, como forte desaceleração do crescimento que vinha sendo projetado em função do registrado nos últimos dois anos.

Precisamos ter muito cuidado com o noticiário em geral e avaliá-lo bem, antes de tomadas de decisões pessoais e empresariais. Não nos guiar pelas manchetes e, sim, pelo conteúdo das notícias. É importante destacar os esforços dos governos, dos bancos centrais de todo o mundo, inclusive do Brasil, de suporte ao sistema financeiro privado. Além disso, o anúncio de linhas de financiamento para investimento e giro com recursos públicos são tentativas de se melhorar o humor, o ânimo de quem investe, produz ou consome.

Se as expectativas são ruins a ponto de paralisar as decisões desses três pilares da economia, a crise se instala para valer. Esse paradoxo também vale para a liquidez. Se todos os atores econômicos buscam liquidez, ela simplesmente desaparece. A racionalidade individual, nesse caso, leva à irracionalidade sistêmica. Cada um faz o que considera certo, mas a soma dos agentes leva a um resultado que é ruim para todos.

Espaço para oportunidade

Se na bonança pequenas e microempresas são favorecidas, também são atingidas se a situação é de maiores dificuldades. Mas o bom, no que se refere ao segmento, é que o porte lhes dá mais flexibilidade de adaptação. Podem, rapidamente, mudar o foco da produção, identificar nichos de oportunidades trazidos, por exemplo, pela elevação dos custos das importações.

Câmbio mais valorizado traz dificuldades grandes para quem importa produtos finais ou componentes. Em especial para aqueles com contratos fechados, que calcularam custos baseados em taxas mais favoráveis. Ao mesmo tempo, melhora para os exportadores e abre oportunidades enormes para setores produtivos nacionais que estavam sob forte pressão do produto importado. Surge assim um novo contexto de substituição das importações. O produto nacional passa a ser mais competitivo, o que pode beneficiar bastante as pequenas e microempresas.

Em relação aos exportadores, a redução do volume de vendas pode, em parte, ser compensada pela mudança da taxa de câmbio. Ou seja, podem ter mais receita com um volume menor de exportações. Esse efeito não deve ser neutro, não deve totalmente compensar o outro. Mas nossos exportadores, que reclamavam muito de uma taxa de R$ 1,6, agora estão recebendo muito mais reais pelo que exportam.

Enfrentamento da crise

Não existe fórmula mágica para situações como as que estamos vivendo. Por isso, devemos estar atentos aos sinais de curto prazo, que vão determinando o médio e o longo prazo. Para o segmento que é a razão da existência do Sebrae, continuam valendo as mesmas orientações, seja qual for o cenário. São ainda mais prementes o maior profissionalismo na gestão, o maior controle de custos, a gestão financeira mais rigorosa. Num ambiente mais adverso em termos de crescimento, é indispensável, por parte do empresário, a tomada de medidas visando ao aumento da competitividade. Não se trata de fazer tudo diferente. Trata-se de fazer melhor aquilo que precisa ser feito.

Sistema financeiro mais forte

O sistema financeiro brasileiro sairá dessa crise mais forte. Estão ocorrendo fusões de grandes bancos, aquisições e incorporações, o que significa maior consolidação do sistema. A diminuição do número de agentes financeiros não deve levar à conclusão precipitada de que se reduzirá a concorrência. A existência de muitos agentes financeiros pulverizados não significa, necessariamente, mais concorrência.

A concentração fortalece mecanismos de auto-regulação e de supervisão do Banco Central. A tendência é o aumento da concorrência à medida que cresce fortemente a base de clientes dos bancos. Isso abre oportunidades que devem ser aproveitadas por parte das pequenas empresas, em especial aquelas organizadas em arranjos produtivos locais ou cadeias de fornecedores, cadeias produtivas, para aumentar seu poder de negociação com os bancos. Quando a poeira baixar, os bancos vão continuar de forma agressiva tentando ampliar sua carteira de clientes, em especial no segmento de pessoas jurídicas de pequeno porte.

Mecanismos facilitadores do crédito

Instrumentos e mecanismos que ampliem a interlocução e a negociação das MPE com os agentes financeiros, a exemplo de Sociedades de Garantia de Crédito, serão muito importantes no quadro que se abre, porque o aprofundamento de atuação do sistema financeiro estará muito relacionado com as pequenas empresas.

Um dos grandes desafios que o Sebrae, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco do Brasil vão enfrentar em conjunto refere-se à construção de novos produtos financeiros para o segmento das MPE. Em especial, o desenvolvimento de uma linha de crédito voltada para investimentos coletivos. Ou seja, a possibilidade de um conjunto de empresas investirem, por exemplo, em logísticas de transporte ou de armazenamento.

São financiamentos para o investimento gerido por grupos de empresas, por meio da criação de consórcios, de cooperativas, e sociedades de propósitos específicos. Possibilidade que se abre com os avanços decorrentes da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Essa inovação é muito importante porque facilitará o fluxo de recursos para o segmento e também porque produtos financeiros para suprir necessidades de capital de giro e de investimentos individuais estão cada vez mais acessíveis.

O desafio, portanto, é ter acesso a fontes de financiamento para investimentos mais volumosos, investimentos com prazos de amortização mais longos, que não podem ou não são passíveis de ser realizados por empresas individuais e que favoreçam um conjunto de empresas, alavancas do desenvolvimento local.

Atualizado em 27/03/2009 por Mariana Schneiderman

Fonte: Site Empreendedor
Link: http://www.empreendedor.com.br/?secao=Noticias&categoria=167&codigo=14038

Programa Shell Iniciativa Jovem 2012 surpreende participantes em aula inaugural.

Na última quinta-feira, dia 03 de maio, foi dada a largada oficial ao Programa Shell Iniciativa Jovem 2012. Depois de um longo processo seletivo, os 58 selecionados assistiram à – mais que motivadora – aula inaugural.

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