Shell Iniciativa Jovem

Case de Sucesso: Inquietos

27/07/2018

Sempre pensei que empreender era algo para quem tinha dinheiro. Algo que vinha de berço, um comportamento que vinha quase como uma herança. Ou que era preciso ter um sócio investidor para as coisas acontecerem.

Lembro que lá na infância, eu já tinha o vírus do empreendedorismo em mim. Sempre inventava, via oportunidades e envolvia todos ao meu redor para realizá-las. Pedia para minha mãe me ajudar fazendo brigadeiros e pães doces para eu vender de porta em porta nas casas na vila que fui criado no subúrbio do Rio de Janeiro. Eu não sabia, mas já estava empreendendo.

Mesmo assim, empreender "na minha cabeça", não era para mim.

O que posso considerar como meu primeiro negócio, foi a venda de folhetos e calendários para os comerciantes do bairro que eu morava. Isso quando eu tinha uns 14 anos. Ia de porta em porta nas lojas, fazendo minha clientela nos meses de setembro e outubro, com aquela pergunta: "O que acha de dar de presente para seus clientes um calendário com as datas do próximo ano e junto dele vir os seus contatos? Eles não vão esquecer de você o próximo ano todo!"

E assim fui construindo minha clientela e durante alguns anos, até minha maior idade, eu vendia esses folhetos. Enquanto isso, eu terminava meu curso técnico em Propaganda e Marketing, sonhando com um emprego em uma agência de Publicidade. Mas foi em 2005, quando eu tinha 18 anos, que as coisas começaram a mudar de vez. As oportunidade não vinham como eu gostaria, apesar de muitos elogios dos professores e algumas oportunidades de estágio. Alguma coisa não se encaixava, não me sentia feliz vivendo aquela rotina e as oportunidades não eram as que eu gostaria. Foi então, que por indicação de um grande amigo, eu conheci o Programa Shell Iniciativa Jovem.

Na época ele veio com uma história meio doida, de um primo dele que tinha uma agência que funcionava num banheiro da Shell. Mas depois eu descobri, que na verdade, a empresa do primo estava incubada numa sala da incubadora que era mantida pelo programa naquela época e que aquela sala, antes da obra, era um banheiro.

Participei das seletivas e comecei a desenvolver o meu primeiro plano de negócio. Não foi fácil, pois tudo era muito novo para mim: viabilidade financeira, técnica, organograma, cronograma, sustentabilidade, entre outros pontos que eu precisava entender e construir. Mas consegui e no final do ciclo, conquistei o selo e comecei a desenvolver meu negócio, na época, uma produtora cultural.

Mas como todo jovem, ainda tinha muito para aprender. Comecei a apanhar quando eu resolvi ter duas empresas em paralelo. Além da produtora, resolvi ter uma marca de camisetas, onde além de criar as estampas, eu tinha que produzir e vender. E o que aconteceu? Quebrei! Não as duas empresas, a marca de camisas. A produtora ficou comprometida, porque eu tinha me endividado e precisaria dedicar meu tempo a um emprego para me reequilibrar. E assim fiz! Então, nesse capítulo, jovens, fica uma lição: tenham foco!

Lição aprendida, trabalho dobrado. Durante o dia eu trabalhava em agências como gerente de projetos e à noite e nos fins de semana, produzia os artistas e realizava os projetos da empresa. E assim foi durante 7 anos, até o fim de 2014. Realizamos muitos projetos na Inquietos, viajamos o país com artistas, até na Europa fizemos turnê. Projetos incentivados pelo Governo Federal e Prefeitura do Rio; fizemos um ótimo movimento até 2015, quando a crise chegou no meio do ano e foi necessário nos reinventarmos.

A Inquietos sempre refletiu muito de mim, isso fica claro por ter no nome, talvez, uma das minhas características mais marcantes. Uma empresa de um jovem suburbano que precisou empreender para criar as oportunidades que nunca teve e que sempre sonhou em poder ajudar as pessoas da mesma forma que foi ajudado por algumas pessoas em sua trajetória. E em 2015, a crise no país me trouxe alguns questionamentos fortes: sou feliz fazendo o que faço hoje? É fazendo evento que eu quero seguir?

Por isso, durante um processo de coach com um amigo que conheci no Programa Shell Iniciativa Jovem, Rafa Ribeiro, descobri que a minha vocação e o que realmente gosto de fazer é criar negócios. E todo o background de conhecimentos que eu fui adquirindo nesse tempo de gestão de projetos, design thinking, marketing digital, desenvolvimento web, produção executiva e atendimento publicitário seriam as minhas potencialidades para ajudar outros empreendedores a desenvolverem melhor os seus negócios e suas estratégias para construção da sua autoridade.

As pessoas do meu convívio diário me apoiaram muito. Ao mesmo tempo, os outros ficaram chocados e sem entender o meu reposicionamento. Mas, mesmo assim, no meio de um turbilhão de situações resolvi recomeçar. Não foi fácil, doeu, tomei porradas, mas posso garantir que mesmo com toda as dificuldades que enfrentei na minha jornada não mudaria nada. Me encho de orgulho de hoje, com a bagagem que eu adquiri como profissional e empreendedor em diferentes áreas, poder ter cocriado negócios, projetos e produtos que impactam pessoas.

Gosto sempre de dizer para os meus sócios (é assim que chamo os empreendedores que contratam minha consultoria: "Sócio de Aluguel") que empreender é muito mais do que ter um CNPJ, é muito mais do que ter uma conta no azul no fim do mês. Digo que empreender é fazer acontecer, antes e acima de tudo. Não existe um cenário ideal. O que existe é uma oportunidade e ela é o agora. Então vai lá e faz, porque ninguém vai fazer por você!

Autor: Ronier Perdizio, sócio-fundador da Inquietos